O Ibovespa ensaiou recuperação nesta segunda-feira (17), depois de uma sequência de seis quedas, mas perdeu força, oscilou perto da estabilidade e chegou a recuar para a faixa dos 166 mil pontos. O movimento foi acompanhado por uma saída de R$ 13,5 bilhões do mercado, enquanto as ações da Casas Bahia despencaram mais de 30% após o pedido de recuperação judicial, ampliando a cautela dos investidores.

Ibovespa reduz alta e chega aos 166 mil pontos

Por volta das 10h10, o índice subia 0,12%, aos 167.136 pontos. Mais tarde, os negócios passaram a indicar oscilação na casa dos 166,7 mil pontos, com os investidores avaliando dados de atividade, inflação, eleições e a situação financeira das empresas domésticas.

O dólar comercial caía 0,13%, a R$ 5,2129, acompanhando a fraqueza da moeda americana no exterior. O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,24%. Já os juros futuros avançavam, sinal de maior pressão nas taxas projetadas para os próximos contratos.

Casas Bahia concentra perdas após recuperação judicial

As ações da Casas Bahia (BHIA3) chegaram a cair mais de 30% durante o pregão. Às 10h57, os papéis estavam em leilão, com baixa de 25,76%, cotados a R$ 0,49. O leilão interrompe temporariamente a negociação contínua quando há forte desequilíbrio entre ofertas de compra e venda, permitindo a formação de um novo preço.

A recuperação judicial foi apresentada depois de a companhia não conseguir rolar suas dívidas, isto é, substituir vencimentos por novos financiamentos. O prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, 18 vezes maior que o registrado um ano antes, foi influenciado principalmente por baixas contábeis, créditos tributários, contratos e encerramento de lojas — perdas que não representam necessariamente uma saída imediata de caixa.

IBC-Br reforça sinais de desaceleração da economia

O IBC-Br, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto, caiu 0,6% em junho, ante maio. O resultado veio um pouco pior que a queda de 0,5% esperada pelos analistas. Apesar disso, o indicador acumula alta de 1,5% em 12 meses e avanço de 0,2% no trimestre encerrado em junho, comparado ao trimestre terminado em março.

O dado sugere perda de ritmo da atividade, mas não aponta sozinho para uma recessão. Uma economia crescendo mais lentamente pode reduzir a pressão sobre os preços e alterar as expectativas para os juros, mas também tende a limitar receitas e lucros das empresas, especialmente em setores dependentes do consumo.

Focus mantém inflação, mas reduz projeções para o PIB

O Relatório Focus manteve em 5,02% a previsão para o IPCA de 2026, interrompendo uma sequência de seis quedas. Para 2027, a estimativa subiu de 4,22% para 4,24%. A projeção para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano.

A previsão para o PIB de 2026 ficou em 1,98%, mas a de 2027 caiu de 1,52% para 1,50%, na quarta redução consecutiva. Para 2028, recuou de 2% para 1,89%. A combinação de inflação ainda elevada e atividade mais fraca mantém o mercado atento ao espaço para cortes de juros e à capacidade de o governo controlar as contas públicas.

Eleição e política fiscal seguem no radar

Pesquisa BTG Pactual/Nexus mostrou Lula com 47% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 44% em um eventual segundo turno de 2026. A diferença de três pontos permanece dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais, mantendo o cenário tecnicamente empatado.

Em evento do Santander, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que o país tenha com a responsabilidade fiscal a mesma intolerância demonstrada contra a inflação. Ele afirmou que juros mais baixos dependem também de maior previsibilidade nas contas públicas e da estabilização da dívida. Para quem investe, o próximo movimento dependerá da combinação entre os novos dados de atividade, as expectativas de inflação, o fluxo financeiro e o ambiente eleitoral.

Impacto para a sociedade

A atividade econômica mais fraca pode afetar decisões de contratação, renda e consumo, embora o dado de junho não determine sozinho uma mudança imediata no mercado de trabalho. Já as expectativas de inflação e juros influenciam o custo de empréstimos, financiamentos e compras parceladas. A discussão sobre as contas públicas também afeta o prêmio de risco do país e, com ele, as condições de crédito para empresas e consumidores.