No primeiro dia de campanha presidencial, Romeu Zema afirmou neste domingo, 16 de agosto, que “toda a direita vai estar unida” no segundo turno e disse que apoiará qualquer candidato que esteja contra o PT nessa etapa. Em Montes Claros (MG), o candidato do Novo também criticou a política internacional do governo Lula e defendeu uma agenda voltada à atração de investimentos.
Zema aposta em união da direita após o primeiro turno
Zema declarou que estará no segundo turno e comparou a estratégia brasileira ao cenário observado no Chile, onde, segundo ele, diversos candidatos de direita disputaram a primeira etapa e passaram a trabalhar juntos depois. “Qualquer um que estiver contra o PT no segundo turno terá meu voto”, afirmou.
A declaração antecipa uma tentativa de apresentar sua candidatura como ponto de convergência do campo político de direita, ainda durante a largada da campanha. A fala também busca sinalizar a investidores e ao eleitorado empresarial que, em eventual disputa final contra o PT, haverá união em torno de uma alternativa política comum.
Críticas à política externa do governo Lula
O candidato acusou o governo de tratar mal parceiros internacionais, começando pelos Estados Unidos. Zema também questionou críticas à utilização do dólar como moeda de referência e disse que uma eventual substituição por euro ou yuan não resolveria os problemas econômicos do Brasil.
Na avaliação dele, o governo se aproximou de países que considera não democráticos, citando Cuba, Irã e Venezuela, e depois passou a enfrentar sanções americanas. O argumento relaciona política externa e ambiente de negócios: mudanças nas relações diplomáticas podem afetar comércio, acesso a mercados, financiamento e a percepção de risco sobre o país.
Sanções são restrições impostas por um país ou grupo de países a governos, empresas ou setores específicos. Quando atingem comércio ou transações financeiras, podem dificultar pagamentos internacionais, encarecer operações e reduzir o interesse de companhias em manter negócios com os envolvidos.
A agenda econômica baseada na atração de investimentos
Durante a conversa com a imprensa, Zema enfatizou sua atuação como governador de Minas Gerais para buscar investimentos no Brasil e no exterior. “Fui o governador que mais andou pelo mundo e pelo Brasil em busca de investimentos”, afirmou.
O candidato disse conhecer as dificuldades enfrentadas por empresários porque já teve contato direto com os obstáculos impostos pelo Estado. Segundo ele, o excesso de burocracia e a complexidade das regras prejudicam quem trabalha e reduzem a disposição de investir.
Investimentos produtivos podem ampliar a capacidade de empresas, gerar empregos e aumentar a oferta de bens e serviços. Para isso, porém, empresários costumam considerar fatores como estabilidade institucional, segurança jurídica, custo do crédito, carga tributária e facilidade para operar. A fala de Zema coloca a redução desses entraves no centro de sua mensagem econômica.
Por que a política internacional entra no debate econômico
A relação do Brasil com grandes economias tem efeito sobre exportações, importações e entrada de capital. Os Estados Unidos, por exemplo, são um parceiro comercial relevante para empresas brasileiras, enquanto a China exerce peso importante na demanda por produtos exportados pelo país.
O dólar também funciona como principal referência para contratos internacionais, commodities e diversos produtos importados. Uma mudança no padrão de moeda usado nas transações, por si só, não elimina problemas como baixa produtividade, desequilíbrio fiscal ou custos elevados; seus efeitos dependeriam das condições comerciais e financeiras envolvidas.
O que vem a seguir na campanha
O lançamento ocorreu após uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José, em Montes Claros. A escolha da cidade partiu do próprio ex-governador, admirador de Humberto Souto, ex-prefeito e ex-deputado que representou a região e morreu em fevereiro de 2025.
Para quem acompanha a economia, o próximo passo será observar como Zema detalhará suas propostas sobre burocracia, investimentos, relações comerciais e atuação do Estado. Até aqui, a mensagem combina a promessa de união da direita no segundo turno com a defesa de uma política externa mais próxima dos Estados Unidos e de uma agenda favorável à iniciativa privada.
