As ações da Hapvida (HAPV3) caíram entre 30% e 37% na semana, enquanto os papéis da Embraer (EMBJ3) avançaram mais de 7% e se destacaram entre as maiores altas do Ibovespa. O contraste ocorreu em um período de forte aversão a risco: o principal índice da Bolsa acumulou queda de 3,23% e completou nove pregões consecutivos de baixa, encerrando a sexta-feira (14) aos 166.934,20 pontos.

Hapvida concentra as maiores perdas da semana

A queda da Hapvida colocou a companhia entre os principais focos de pressão do mercado acionário brasileiro no período. O recuo ocorreu em uma semana já marcada pela reação dos investidores aos balanços do segundo trimestre e pela redução da exposição a ativos domésticos.

Movimentos dessa magnitude ampliam a volatilidade de uma ação e podem alterar rapidamente a percepção dos investidores sobre o risco e as perspectivas da empresa. No caso da Hapvida, a queda foi muito superior à do próprio Ibovespa, que perdeu pouco mais de 3% no acumulado da semana.

Embraer destoa do mercado após balanço do segundo trimestre

Na direção oposta, a Embraer liderou os ganhos do Ibovespa após divulgar lucro líquido de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 25% na comparação anual. O resultado foi impulsionado principalmente pelo desempenho operacional e pela redução das despesas financeiras líquidas, embora impostos mais elevados tenham limitado parte do avanço.

A XP destacou a continuidade da melhora da lucratividade nas diferentes unidades de negócios, especialmente em Aviação Executiva e Serviços. A instituição também chamou atenção para a melhora da qualidade da carteira de pedidos, conhecida no mercado como “backlog”, conforme contratos antigos são substituídos por novos negócios em um ambiente mais favorável de oferta e demanda.

Revisões de bancos reforçaram a alta dos papéis

Depois do balanço, o Safra elevou o preço-alvo dos recibos de ações da Embraer negociados nos Estados Unidos, os chamados ADRs, de US$ 92 para US$ 95. A recomendação foi mantida na categoria equivalente à compra, o que ajudou a reforçar a reação positiva do mercado aos números apresentados pela companhia.

O desempenho da Embraer destoou do comportamento predominante da Bolsa porque combinou um resultado operacional considerado forte com avaliações mais otimistas sobre margens e pedidos futuros. Ainda assim, a alta de uma empresa específica não foi suficiente para compensar a pressão disseminada sobre o índice.

Saída de estrangeiros aumentou a pressão sobre o Ibovespa

O movimento de queda ganhou força após o JP Morgan reduzir sua recomendação para o mercado brasileiro, de exposição acima da média para neutra. O banco também cortou a projeção para o Ibovespa ao fim de 2026, de 190 mil para 185 mil pontos, ainda indicando potencial de alta de 7,5% em relação ao nível registrado no encerramento da semana.

A mudança contribuiu para a saída de R$ 4,72 bilhões em capital estrangeiro da B3 na terça-feira (11), o maior fluxo diário negativo desde 22 de abril de 2021. Quando investidores estrangeiros reduzem posições, aumenta a oferta de ações à venda e a pressão sobre os preços, sobretudo em um mercado já cauteloso.

Dólar e juros americanos completam o quadro

O dólar à vista subiu 2,68% na semana e terminou a sexta-feira cotado a R$ 5,2199. A alta da moeda refletiu a piora da percepção sobre o risco brasileiro e tende a tornar produtos e insumos importados mais caros, embora o efeito sobre a inflação dependa da intensidade e da duração do movimento.

No exterior, dados mais brandos de inflação nos Estados Unidos reduziram as apostas de uma elevação dos juros pelo Federal Reserve em setembro. A ferramenta FedWatch indicava 67,5% de probabilidade de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75% ao ano na próxima decisão, enquanto a chance de alta era majoritária apenas em dezembro, com 67,3%.

Para quem investe, a semana mostrou como resultados corporativos podem criar vencedores isolados mesmo em um ambiente negativo, como ocorreu com a Embraer, enquanto incertezas sobre o Brasil, o fluxo estrangeiro, o câmbio e os juros globais podem dominar o comportamento do índice. O próximo movimento dependerá da leitura dos balanços, das expectativas para a economia brasileira e das decisões dos bancos centrais.