Com o vencimento do Tesouro IPCA+ 2026, os investidores receberão os recursos na segunda-feira (17), e analistas sugerem alternativas para transformar esse dinheiro em uma fonte de renda passiva. O Tesouro Nacional desembolsará cerca de R$ 260 bilhões para pagar os detentores do título principal e do papel com juros semestrais, abrindo uma nova decisão para quem pretende manter o patrimônio investido.

O que muda quando o título chega ao vencimento

O vencimento encerra a aplicação, mas não necessariamente o planejamento financeiro. Para quem não precisa usar o dinheiro imediatamente, reinvestir o principal e os rendimentos permite manter o efeito dos juros compostos: os ganhos são incorporados ao patrimônio e passam também a produzir novos retornos.

A alternativa mais direta seria comprar novamente títulos públicos. A proposta analisada, porém, é diversificar a fonte de renda entre investimentos de renda fixa, fundos que distribuem dividendos e ações. A ideia não é encontrar uma substituição idêntica ao Tesouro IPCA+ 2026, mas combinar diferentes relações entre risco, prazo, liquidez e potencial de remuneração.

Debênture da Equatorial Goiás paga juros semestrais

Entre as opções está a debênture CGOSA2, emitida pela Equatorial Goiás. Debêntures são títulos de dívida de empresas: o investidor empresta recursos à companhia e recebe remuneração conforme as condições da emissão, assumindo o risco de crédito da empresa e também oscilações no preço caso precise vender antes do vencimento.

O papel vence em janeiro de 2038 e paga juros semestralmente. Na sexta-feira (14), a taxa indicativa no mercado secundário era de IPCA+ 8,10% ao ano. A Equatorial possui classificação de risco AAA pela S&P Global e AA+ pela Fitch, enquanto a subsidiária de Goiás tem rating AAA pela S&P. A taxa observada, contudo, é uma referência de mercado e pode mudar.

Fundos imobiliários e de infraestrutura distribuem renda

Outra alternativa é o fundo imobiliário Kinea Hedge Fund (KNHF11), um fundo multiestratégia que investe em recebíveis imobiliários, outros fundos, imóveis e ações do setor. A carteira está mais concentrada em ativos de crédito, característica que favorece a distribuição de rendimentos, embora esses pagamentos não sejam garantidos e possam variar.

O KNHF11 tinha patrimônio líquido de R$ 1,95 bilhão e suas cotas eram negociadas com desconto de aproximadamente 8,5% em relação a esse patrimônio. Até agosto, o dividend yield, indicador que relaciona os dividendos pagos ao preço da cota, estava em 13,41% nos 12 meses anteriores. O número é histórico e não representa promessa de retorno futuro.

Também aparece na seleção o BTG Dívida Infra (BCDI11), um fundo de crédito incentivado listado em bolsa. Esse tipo de fundo investe em títulos ligados a projetos de infraestrutura e tem isenção de Imposto de Renda para o investidor pessoa física, conforme as condições aplicáveis ao produto.

Ações podem complementar a estratégia de renda

A proposta inclui ainda uma ação brasileira com perfil de “vaca leiteira”, expressão usada para empresas maduras que distribuem parcela relevante dos lucros aos acionistas. Dividendos, porém, dependem do resultado e das decisões da companhia, enquanto o preço da ação pode oscilar de forma significativa.

Há também a indicação de reservar uma pequena parcela para uma ação internacional, criando uma fonte potencial de renda em dólar. Nesse caso, além do desempenho da empresa, o investidor fica exposto à variação cambial. Ganhos e perdas podem ocorrer tanto pela cotação do ativo quanto pela mudança do real diante da moeda americana.

Como decidir o destino do dinheiro na segunda-feira

O recebimento não exige que todo o valor seja reaplicado em um único produto nem que todas as alternativas sejam usadas. Prazo de utilização do dinheiro, necessidade de liquidez, tolerância a oscilações e objetivo de renda devem orientar a análise individual.

Também é preciso diferenciar renda distribuída de retorno total: dividendos e juros pagos periodicamente podem ajudar no fluxo de caixa, mas não eliminam riscos de crédito, de mercado ou de perda de valor. Para quem pretende preservar o patrimônio por dez, vinte ou trinta anos, reinvestir os pagamentos recebidos pode prolongar a formação da chamada “bola de neve” financeira.