As ações da Braskem passaram a liderar as perdas do Ibovespa nesta sexta-feira (14), enquanto o dólar atingiu o maior valor desde março, ampliando a pressão sobre o mercado brasileiro. Por volta das 15h31, o índice caía 1,02%, aos 165.398,74 pontos, depois de tocar mínima de 164.911,63 pontos. Com o movimento, a bolsa caminhava para a nona sessão consecutiva de baixa e uma perda semanal superior a 4%.

Braskem concentra a pressão entre as ações

Braskem (BRKM5) recuava 8,61% e aparecia na ponta negativa do índice. A queda colocou a petroquímica no centro do movimento vendedor desta sexta, em um pregão já marcado pela redução da exposição de investidores estrangeiros ao Brasil e pelo aumento das incertezas políticas e fiscais.

O material disponível não detalha um novo fato específico relacionado à empresa que explique, isoladamente, a intensidade da baixa. O movimento ocorre, portanto, dentro de um ambiente mais amplo de cautela com ações brasileiras, no qual empresas com peso relevante no índice acabam amplificando a oscilação do Ibovespa.

Dólar sobe e reforça o estresse no mercado brasileiro

O dólar registrou a quinta alta consecutiva e alcançou o maior nível desde março. A valorização da moeda americana costuma refletir a busca por proteção em momentos de incerteza e, neste caso, acompanha a saída de recursos estrangeiros da bolsa e a preocupação com o cenário fiscal e eleitoral.

Para a economia, um câmbio mais depreciado pode elevar o custo de produtos importados e de componentes comprados no exterior. Também aumenta a pressão sobre empresas que têm despesas em dólar, embora possa favorecer companhias exportadoras. Se o efeito cambial se espalhar pelos preços, pode dificultar a trajetória de inflação e reduzir o espaço para cortes de juros.

Por que os estrangeiros estão reduzindo posições

Grandes fundos globais vêm diminuindo a exposição ao país para atravessar o período eleitoral com menos risco. Os saques de estrangeiros superaram R$ 7 bilhões apenas nos primeiros dias de agosto, segundo avaliação citada por Bruna Sene, analista de renda variável da Rico. Como esses investidores respondem por cerca de 60% do volume negociado na B3, suas decisões têm impacto significativo sobre os preços.

Na terça-feira (11), o JPMorgan rebaixou a recomendação para o Brasil de compra para neutra, mencionando menor espaço para cortes de juros, desaceleração da atividade e incerteza política. A avaliação contribuiu para uma venda mais disseminada no mercado, em uma semana na qual os balanços do segundo trimestre também trouxeram leituras cautelosas.

Fiscal, eleição e resposta aos Estados Unidos entram no radar

O governo iniciou na noite de quinta-feira (13) a análise de possíveis medidas de reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos. A abertura desse processo adicionou uma nova frente de incerteza, porque pode afetar relações comerciais e aumentar a preocupação dos investidores com os efeitos econômicos e políticos do confronto.

No campo eleitoral, o principal receio do mercado está relacionado à condução das contas públicas e à possibilidade de um ajuste fiscal considerado insuficiente a partir de 2027. Uma percepção de maior risco fiscal tende a pressionar o câmbio e os juros futuros, elevando o custo de financiamento do governo e das empresas.

O que observar depois da nona queda seguida

Do ponto de vista técnico, o Ibovespa perdeu a região dos 170 mil pontos e opera abaixo dos 166 mil, no menor nível desde janeiro. A manutenção da Selic em patamar elevado torna a renda fixa mais atrativa e encarece o crédito, o que reduz o fluxo de recursos para ações e dificulta uma reação do índice.

A nova pesquisa Quaest sobre a disputa presidencial de 2026 será divulgada às 18h, após o fechamento do mercado. Para quem investe, trabalha ou consome, os próximos movimentos dependerão da combinação entre o resultado eleitoral, a percepção sobre as contas públicas, o comportamento do dólar e os sinais sobre futuros cortes da Selic. Embora a avaliação citada aponte fundamentos empresariais ainda relevantes, o ambiente atual é dominado por risco e fluxo de recursos, não por uma deterioração generalizada desses fundamentos.

Impacto para a sociedade

A alta do dólar pode encarecer produtos importados e insumos usados por empresas brasileiras, com possível efeito sobre preços ao consumidor. A manutenção da Selic em nível elevado também torna o crédito mais caro para famílias e empresas, além de reduzir o interesse por investimentos de maior risco.