As ações da Yduqs (YDUQ3) caíram cerca de 9% nesta sexta-feira (14), liderando as perdas do Ibovespa, após a divulgação de um balanço considerado fraco. Apesar da reação negativa, bancos como Itaú BBA, BTG Pactual, Bradesco BBI, Safra e Citi ainda enxergam potencial de valorização relevante para o papel, de 42,5% a quase 200%, com base em seus preços-alvo.
Lucro ajustado cai e resultado fica abaixo das projeções
A companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 14 milhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 54,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Sem os ajustes, o resultado ficou negativo em R$ 1,5 milhão.
O Ebitda ajustado, indicador que mostra o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 400,2 milhões, alta de apenas 1,6% em 12 meses. A margem avançou de 28,6% para 28,7%. Os números ficaram abaixo das estimativas médias, que apontavam lucro ajustado de R$ 29 milhões e Ebitda de R$ 408 milhões.
Crescimento fraco e ensino digital pressionam a operação
A receita líquida alcançou R$ 1,392 bilhão, crescimento anual de 1,0% e cerca de 2% abaixo da projeção do Itaú BBA. O Citi classificou o ritmo como “anêmico”, em um sinal de que a empresa teve dificuldade para expandir as receitas mesmo com a operação em funcionamento.
O principal ponto de pressão foi a educação digital. A base de alunos de graduação nessa modalidade caiu 18,3% em 12 meses, enquanto a captação no ensino a distância recuou cerca de 50% ou 51%, conforme o indicador considerado. A queda está ligada às regras do novo marco regulatório do Ministério da Educação (MEC), que restringiu a oferta remota de cursos como Saúde, Engenharias e Licenciaturas.
Custos maiores e geração de caixa ficam no radar
As marcas Estácio e Wyden recuaram 2%, pressionadas pela menor demanda por cursos híbridos, cuja base caiu 6% no semestre. O Itaú BBA também destacou alta de 8% nas despesas com pessoal, associada à mudança no perfil de alunos com a expansão do formato semipresencial.
A geração de caixa também ficou aquém do ritmo esperado. O fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) foi de R$ 21 milhões no trimestre e R$ 225 milhões no primeiro semestre, equivalente a 45% da expectativa de aproximadamente R$ 500 milhões para todo o ano. Além disso, o resultado financeiro ficou negativo em R$ 206,4 milhões, piora de 9,8% ante o segundo trimestre de 2025.
Segmento premium ajuda a limitar os efeitos negativos
Nem todos os indicadores foram negativos. A graduação da Idomed cresceu 11,8% em 12 meses, com alta de 5,0% no tíquete médio dos alunos veteranos. No Ibmec, a base aumentou 13,0%, enquanto o tíquete dos veteranos subiu 6,2%, beneficiado pela maturação da unidade Faria Lima.
A base do ensino presencial avançou 18,8%, impulsionada pela alta de 66,6% no formato semipresencial. Esse crescimento compensou parcialmente a queda de 3,6% no presencial tradicional. Ainda assim, BTG Pactual e outros bancos avaliaram que a força do segmento premium não foi suficiente para neutralizar a fraqueza do restante do portfólio.
Por que os bancos ainda veem valorização para YDUQ3
BTG Pactual, Bradesco BBI, Itaú BBA, Safra e Citi mantiveram avaliações equivalentes à compra, destacando que o preço da ação já incorpora pessimismo elevado. Os preços-alvo são de R$ 15 para o BBI, R$ 16 para o Itaú BBA, R$ 23 para o BTG, R$ 22,50 para o Safra e R$ 11 para o Citi. Esses valores representam potenciais de alta de 94,3%, 107,3%, 197,9%, 191,45% e 42,5%, respectivamente.
Os analistas, porém, não trataram o balanço como um catalisador imediato. A administração reiterou as metas de lucro por ação e geração de caixa para 2026, o que transfere para o segundo semestre a tarefa de acelerar os resultados. Para quem acompanha a empresa, os próximos dados de captação, evolução do ensino digital, custos e geração de caixa serão decisivos para testar essa expectativa.
