O Citi passou a projetar novas quedas da Selic, com um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom de 16 de setembro, levando a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano. A mudança representa uma revisão do cenário para 2026 e veio depois de o Banco Central reduzir os juros em 0,25 ponto na reunião mais recente.
Por que o Citi mudou a projeção para setembro
Até então, o banco esperava que a Selic permanecesse em 14,25% na reunião de agosto. A decisão do Copom, no entanto, mostrou que os formuladores de política monetária deram mais peso ao comportamento recente da inflação, que está baixo, do que à piora das expectativas para os preços no médio e no longo prazo.
Embora o Comitê tenha mantido a avaliação de que a inflação ficará acima da meta e preservado um balanço de riscos mais concentrado em uma alta dos preços, não houve uma indicação clara de que os juros permaneceriam estáveis nas reuniões seguintes. Para o Citi, essa ausência de sinalização deixou espaço para um novo corte em setembro.
Inflação e atividade econômica abrem espaço para juros menores
O banco avalia que a inflação pode registrar resultado negativo em agosto, pressionada pela possível continuidade da queda nos preços de alimentos comercializáveis — produtos que podem ser negociados no mercado internacional — e por uma redução temporária nas tarifas de energia elétrica.
Além disso, dados recentes de atividade, serviços e varejo reforçaram a expectativa de desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. O Citi estima crescimento de aproximadamente 0,4% na comparação com os três primeiros meses do ano. Uma economia crescendo mais lentamente reduz a pressão sobre a demanda e pode facilitar o controle dos preços.
Na avaliação do banco, a combinação entre inflação corrente mais baixa e atividade menos intensa pode diminuir temporariamente o processo de desancoragem das expectativas — quando empresas, consumidores e analistas passam a projetar inflação persistentemente acima da meta.
O que a nova projeção indica para o ciclo de cortes
A revisão para 13,75% em setembro não significa que o Citi espere uma sequência ininterrupta de reduções. A instituição projeta uma pausa no ciclo de flexibilização monetária durante o segundo semestre de 2027, indicando que a trajetória dos juros dependerá da evolução da inflação, das expectativas e das contas públicas.
O banco prevê que um fortalecimento da política fiscal no primeiro semestre de 2027 — isto é, uma condução mais firme dos gastos e das receitas do governo — crie condições para que o Banco Central retome os cortes no terceiro trimestre daquele ano. Com isso, a projeção é de Selic em 12,75% ao ano no fim de 2027.
O que muda para crédito, renda fixa e Bolsa
Uma Selic menor tende a reduzir gradualmente o custo de empréstimos e financiamentos, embora bancos também considerem risco de inadimplência, prazo e margem nas taxas cobradas. O efeito sobre o consumo e os investimentos das empresas costuma aparecer aos poucos, conforme novos contratos são firmados ou dívidas antigas são renegociadas.
Na renda fixa, aplicações pós-fixadas que acompanham a Selic ou o CDI tendem a oferecer remuneração menor quando a taxa básica cai. Por outro lado, a perspectiva de juros mais baixos pode favorecer ativos de maior risco, como ações, ao reduzir o custo de capital das empresas e tornar relativamente mais atrativas alternativas que não acompanham diretamente a taxa básica.
O que investidores e consumidores devem acompanhar
O próximo ponto central será a reunião do Copom em 16 de setembro e a comunicação divulgada depois da decisão. O mercado deverá observar se o Banco Central confirma a abertura para novos cortes ou se volta a enfatizar as expectativas de inflação, a política fiscal e os riscos de alta dos preços.
Até lá, inflação, tarifas de energia, dados de serviços e varejo e os números do PIB serão determinantes para confirmar ou enfraquecer a projeção do Citi. Para investidores e consumidores, a mudança aponta para um possível alívio gradual nos juros, mas não elimina a incerteza sobre a velocidade e a duração do ciclo.
Impacto para a sociedade
A possibilidade de juros menores pode reduzir o custo de empréstimos e financiamentos, mas esse efeito costuma chegar ao consumidor de forma gradual. Para quem investe, a queda da Selic tende a diminuir a remuneração de aplicações pós-fixadas ligadas à taxa básica. Ao mesmo tempo, inflação mais baixa e atividade econômica mais fraca influenciam o emprego, o consumo e as decisões das empresas.
