A Rico identificou 15 ações com dividend yield (DY) de 12 meses acima de 14% ao ano, patamar apresentado como superior ao da Selic, para investidores interessados em renda passiva. O levantamento, com dados da Economatica até 7 de agosto de 2026, vem acompanhado de uma ressalva: um retorno elevado em dividendos pode refletir pagamentos extraordinários ou a queda do preço da ação, e não necessariamente uma fonte sustentável de renda.

Quais ações aparecem no levantamento da Rico

A lista considera empresas dos índices Ibovespa, Índice de Dividendos (Idiv) e Brasil 100 (IBrX 100). A Syn lidera, com DY de 64,53% nos 12 meses até 7 de agosto. Em seguida aparecem Grendene, com 43,19%, e Vulcabras, com 32,62%.

  • Log: 27,54%; Lavvi: 27,26%;
  • Marcopolo ON: 22,42%; União Pet: 21,06%; Marcopolo PN: 20,89%;
  • Even: 20,09%; Moura Dubeux: 19,13%; MBRF: 17,49%;
  • BB Seguridade: 16,98%; Unipar: 16,92%; Tegma: 14,87%; Azzas: 14,55%.

Os percentuais mostram quanto foi distribuído em proventos nos 12 meses anteriores em relação ao preço atual de cada ação. Eles não representam uma promessa de pagamento futuro nem o retorno total do investimento, que também depende da variação do preço do papel.

Por que um DY muito alto pode enganar

Maria Giulia Figueiredo, analista de pesquisa da Rico, afirma que os maiores rendimentos costumam estar associados a eventos que não se repetem todos os anos, como venda de ativos, redução de capital, juros sobre capital próprio acumulados ou outras distribuições extraordinárias.

O cálculo também pode ficar artificialmente elevado quando a ação perde valor. Se um papel que custava R$ 10 pagava R$ 1 em dividendos, o DY era de 10%. Caso a cotação caia para R$ 5 sem mudança no pagamento, o indicador passa a apontar 20%. Para quem já detinha o ativo, porém, houve desvalorização patrimonial.

Como os juros altos afetam ações de dividendos

Com a Selic elevada, aplicações de renda fixa passam a oferecer uma alternativa mais competitiva e previsível para o investidor. Esse custo de oportunidade tende a pressionar as ações, porque parte do mercado exige um retorno maior para assumir o risco de renda variável.

A queda das cotações pode elevar o DY calculado sobre o preço corrente, mesmo que a empresa não tenha aumentado seus dividendos. Além disso, juros altos encarecem o crédito e podem dificultar a manutenção das distribuições por companhias mais endividadas.

As três perguntas antes de olhar apenas o indicador

A analista recomenda verificar se os proventos foram recorrentes ou se incluíram eventos não operacionais. Também é preciso avaliar se a queda da ação reflete um problema estrutural do negócio ou apenas um ajuste de mercado com possibilidade de reversão.

Outra questão é o nível de endividamento. Em um ambiente de crédito caro, a geração de caixa e a capacidade de financiar operações sem comprometer a saúde financeira são importantes para avaliar se os pagamentos podem continuar.

O que observar daqui para frente

A Rico também recomenda comparar o DY atual com a média dos últimos três exercícios. Essa análise ajuda a distinguir uma política consistente de distribuição de um resultado excepcional concentrado em um único período. Empresas que aparecem nas duas avaliações tendem a apresentar maior regularidade, segundo a especialista.

Para o investidor, o ranking funciona como ponto de partida para investigação, e não como indicação automática de compra. O acompanhamento deve incluir a origem dos proventos, a evolução do negócio, a dívida e o efeito da Selic sobre a atratividade relativa entre renda fixa e ações.