O Ibovespa encerrou o oitavo pregão consecutivo de queda nesta quinta-feira (13), aos 167.100,95 pontos, com recuo de 0,23%. O índice brasileiro não acompanhou a alta de Wall Street, que renovou recorde, em meio à pressão de ações importantes como Banco do Brasil e Vale, à saída de capital estrangeiro e à cautela com os balanços do segundo trimestre.

Bolsa brasileira ficou para trás enquanto Wall Street subiu

Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançou e marcou novo recorde intradia, aos 7.816,70 pontos. O Dow Jones subiu 0,13%, para 53.840,08 pontos. O ambiente externo foi favorecido por dados de inflação considerados benignos e pelo alívio nos preços do petróleo.

No Brasil, porém, o fluxo de investidores estrangeiros continuou pesando. Até 11 de agosto, quase R$ 12 bilhões haviam deixado a bolsa brasileira, segundo a avaliação de Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad. A saída reduz a demanda por ações e amplia a sensibilidade do índice a quedas de empresas com grande participação em sua carteira.

Banco do Brasil e Vale pressionaram o índice

O setor financeiro teve leve alta de 0,01%, mas foi afetado pela queda de 4,05% do Banco do Brasil (BBAS3), que fechou a R$ 18,93. A instituição esteve entre os principais focos de pressão após a divulgação do balanço do segundo trimestre, em um momento em que investidores avaliam a capacidade de recuperação dos lucros.

A Vale (VALE3), que representa cerca de 11% do Ibovespa, recuou 1,75%, para R$ 71,90, acompanhando a queda do minério de ferro negociado em Dalian. Como bancos, Petrobras e Vale somam aproximadamente metade da carteira do índice, movimentos nesses grupos têm efeito desproporcional sobre o resultado diário da bolsa.

Petrobras ficou na contramão das demais ações de grande peso. PETR3 subiu 0,89%, a R$ 46,73, enquanto PETR4 avançou 1,09%, a R$ 41,90, mesmo com a queda do petróleo Brent.

Hapvida desabou após balanço do segundo trimestre

A maior queda do Ibovespa foi da Hapvida (HAPV3), que despencou 33,09%, para R$ 6,41, após os resultados do segundo trimestre de 2026. O Banco Safra avaliou que o balanço trouxe poucos elementos para sustentar uma recuperação no curto prazo.

Entre os problemas apontados estão o Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, abaixo do esperado; a aceleração dos novos depósitos judiciais; e o custo médico por beneficiário ainda elevado. Esses fatores dificultam a projeção de melhora dos resultados da companhia.

Na ponta positiva, a MRV (MRVE3) saltou 14,29%, a R$ 4,80, após o balanço do segundo trimestre. O Bradesco BBI classificou o resultado como em linha e destacou a evolução da operação principal no Brasil, especialmente na divisão de incorporação, com melhora contínua das margens.

Inflação americana mexeu com as apostas sobre o Fed

O índice de preços ao produtor dos Estados Unidos, o PPI, ficou estável em julho, depois de recuar 0,1% em junho. Na comparação anual, avançou 4,7%, ante 5,5% na leitura anterior. O resultado veio abaixo das projeções, que indicavam alta mensal de 0,1% e crescimento anual de 4,9%.

O dado foi interpretado como favorável por reforçar a possibilidade de manutenção dos juros pelo Federal Reserve, o banco central americano. Na ferramenta FedWatch, do CME Group, as apostas de elevação dos juros passaram de outubro para dezembro. Mesmo com esse alívio no exterior, o efeito positivo não foi suficiente para compensar as pressões locais sobre o Ibovespa.

Dados brasileiros mostram sinais mistos para a economia

As vendas do varejo brasileiro cresceram 0,5% em junho ante maio, depois de alta de 0,3% no mês anterior. Na comparação com junho de 2025, o avanço foi de 2,9%, acima do esperado pelo mercado.

Para Matheus Spiess, da Empiricus Research, os indicadores brasileiros alternam sinais de fraqueza e reaceleração. Incentivos parafiscais, medidas de estímulo que passam por instrumentos públicos ou financeiros fora do orçamento tradicional, podem reduzir a eficácia da política monetária, ao manter a atividade aquecida mesmo com condições financeiras mais restritivas.

Para quem investe, o próximo pregão seguirá dependente da reação aos balanços, do fluxo estrangeiro e dos dados de inflação e juros nos Estados Unidos. Para empresas e consumidores, o dólar encerrou o dia a R$ 5,1930, alta de 0,25%, movimento pequeno, mas que pode aumentar custos de produtos importados se persistir. O oitavo pregão de baixa também mostra como fatores específicos da bolsa brasileira continuam predominando sobre o bom desempenho das ações americanas.